15 indicadores essenciais para a gestão hospitalar
Uma lista curta, com fórmula e cuidado de leitura, para montar a primeira tela da diretoria sem afogar ninguém em números.
Os indicadores de gestão hospitalar que realmente importam cabem em uma tela: quinze medidas, agrupadas em cinco temas, bastam para a diretoria saber se o mês está bom, onde está o problema e o que perguntar em seguida. O segredo não é a quantidade, e sim que cada indicador tenha uma definição única, uma referência para comparar e um caminho para descer até a causa.
Os 15 indicadores, por tema
- Receita e resultado: receita bruta, margem de contribuição, EBITDA, resultado final.
- Faturamento: % de glosa, contas pendentes, perdas.
- Caixa: prazo médio de recebimento, inadimplência.
- Custos: variação contra o orçamento por centro de custo, custo de mat/med por paciente.
- Operação: taxa de ocupação, média de permanência, produção contra o ano anterior, ticket médio.
Como escolher os indicadores da diretoria
Antes da lista, três critérios. Um indicador merece estar na primeira tela se:
- Muda uma decisão: se ninguém faria nada diferente com o número, ele é curiosidade, não indicador.
- Tem referência: o mês anterior, o mesmo mês do ano anterior, a média dos últimos três meses ou o orçamento.
- Pode ser aberto: do total do hospital até o setor, o convênio e o atendimento.
Os indicadores abaixo seguem esses critérios. As fórmulas completas estão no glossário.
Receita e resultado
1. Receita bruta
A soma do faturamento do período, por competência (o mês em que o atendimento aconteceu). Leia separando SUS, convênios e particulares, e sempre contra o mesmo mês do ano anterior, porque a sazonalidade hospitalar é forte.
2. Margem de contribuição
Receita menos as deduções e os custos variáveis: glosas, materiais, medicamentos e honorários repassados. É o indicador que mostra quanto sobra para pagar a estrutura fixa. Leia em R$ e em % da receita, por convênio e por especialidade. O cálculo detalhado está no artigo sobre margem de contribuição por convênio.
3. EBITDA
O resultado operacional antes de juros, impostos sobre o lucro, depreciação e amortização. Mostra a geração de caixa da operação, sem o efeito da dívida e do investimento. É o indicador preferido dos conselhos para comparar períodos.
4. Resultado final
O que sobrou depois de tudo. Separe o que é operacional do que é financeiro ou não recorrente: um resultado bom por causa de uma receita extraordinária não se repete no mês seguinte.
Faturamento
5. Percentual de glosa
Valor glosado ÷ valor faturado. Acompanhe por convênio e por motivo, e diferencie a glosa inicial (que ainda pode ser recorrida) da definitiva. O artigo sobre glosas hospitalares traz os tipos e como reduzir.
6. Contas pendentes
O valor das contas de atendimentos encerrados que ainda não foram faturadas, e há quantos dias estão abertas. É receita realizada que ainda não virou cobrança. Veja contas não faturadas.
7. Perdas
O valor faturado que o hospital reconhece que não vai receber. Um aumento de perdas costuma ser o fim de uma história que começou em glosas não recorridas ou contas faturadas fora do prazo.
Caixa
8. Prazo médio de recebimento
Saldo a receber ÷ faturamento médio diário. Quantos dias, em média, o hospital espera para receber. Leia por convênio, porque cada um tem seu prazo contratual. Veja prazo médio de recebimento.
9. Inadimplência
O saldo vencido e não recebido em relação ao faturado. Não confunda com glosa: inadimplência é atraso de um valor aceito; glosa é recusa.
Custos
10. Variação contra o orçamento por centro de custo
Quanto cada centro de custo gastou a mais ou a menos do que o orçado, em R$ e em %. É o indicador que transforma a DRE em responsabilidade: cada desvio tem um dono. Veja orçado x realizado.
11. Custo de materiais e medicamentos por paciente
O consumo de mat/med dividido pelo número de pacientes ou de pacientes-dia. Separa o efeito do volume (mais pacientes) do efeito do consumo ou do preço (mais gasto por paciente).
Operação
12. Taxa de ocupação
Pacientes-dia ÷ leitos-dia operacionais × 100. Leia por unidade: a média do hospital pode esconder uma UTI lotada e uma clínica vazia. Veja taxa de ocupação hospitalar.
13. Média de permanência
Pacientes-dia ÷ saídas (altas, óbitos e transferências externas). Compare por especialidade e por pagador. Permanência que sobe sem mudança no perfil dos pacientes é custo sem receita. Veja média de permanência.
14. Produção contra o ano anterior
Cirurgias, consultas, exames e paciente-dia, SUS e não SUS, contra o mesmo mês do ano anterior. É o indicador que explica boa parte da variação da receita e dos custos.
15. Ticket médio
Receita ÷ número de atendimentos, por tipo de atendimento. Junto com a produção, separa o efeito de volume do efeito de preço e de mix. Veja ticket médio hospitalar.
Como montar a primeira tela
Coloque os quinze indicadores em uma tela, cada um com o valor, a variação e uma pequena tendência dos últimos meses. Abaixo, um gráfico que mostre onde a receita caiu ou o custo subiu, por área. Tudo o mais vai para painéis específicos, um clique depois. O guia de dashboard hospitalar mostra os erros que fazem um painel ser abandonado.
Perguntas relacionadas
Quantos indicadores a diretoria deve acompanhar?
Entre oito e quinze na primeira tela, sempre com referência. O detalhe fica em painéis específicos, para quem precisa abrir o número.
Qual o indicador mais importante para um hospital?
Não existe um só. Se for preciso escolher, a margem de contribuição por convênio e o EBITDA dizem muito sobre a sustentabilidade, mas só fazem sentido junto com glosa, prazo de recebimento e produção.
Indicadores assistenciais também entram?
Sim, quando a diretoria acompanha qualidade e segurança do paciente (infecção, readmissão, mortalidade). Esta lista foca a gestão econômica e operacional, que é o tema do Clic Health.
Escrito pela equipe que faz o Clic Health: contadores, controllers e desenvolvedores que trabalham há mais de 20 anos com a gestão de hospitais.