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Glosas hospitalares: como medir, prevenir e recuperar

Glosa é receita que o hospital produziu e não recebeu. Medir bem é o primeiro passo para recuperar o que é indevido e evitar que se repita.

Equipe Clic HealthAtualizado em 3 min de leitura

Glosas hospitalares são recusas, totais ou parciais, do pagamento de itens da conta do paciente pelo convênio ou pelo SUS. Cada glosa é receita que o hospital já produziu, com custo já incorrido, e que pode não ser recebida. Por isso a gestão de glosas tem três frentes: medir, prevenir e recuperar.

Os tipos de glosa

TipoO que éExemplos
AdministrativaFalha de processo ou documentaçãoFalta de autorização, guia incompleta, erro de cadastro, envio fora do prazo, código incompatível
TécnicaQuestionamento clínico do que foi feitoProcedimento sem justificativa no prontuário, quantidade de material acima do esperado, diária questionada
LinearCorte aplicado sem análise item a itemPercentual descontado de todas as contas de um lote

Também é importante separar a glosa inicial, informada pelo pagador e que pode ser recorrida, da glosa definitiva, depois de esgotados os recursos.

Como medir

O indicador básico é o percentual de glosa: valor glosado ÷ valor faturado. Mas o número do hospital inteiro diz pouco. Abra por:

  • Convênio: alguns concentram a maior parte do valor.
  • Motivo: administrativo e técnico têm soluções diferentes.
  • Setor e tipo de item: diárias, materiais, medicamentos, OPME, honorários.
  • Etapa: glosa inicial, valor recorrido, valor recuperado, glosa definitiva.

Com essa abertura, a regra de Pareto costuma aparecer: poucos convênios e poucos motivos explicam a maior parte do valor. É por eles que a ação começa.

O painel Conta 100% Aberta do Clic Health mostra os títulos em aberto e glosados por mês de vencimento e por convênio. Dados fictícios

Como prevenir

A melhor glosa é a que não acontece. As práticas mais eficazes atuam antes do envio:

  1. Autorização garantida antes do procedimento, com a guia correta.
  2. Pré-faturamento: conferência da conta antes do envio (documentação, codificação, quantidades, compatibilidades).
  3. Tabelas atualizadas: preços e regras de cada convênio cadastrados corretamente no sistema.
  4. Prontuário completo: justificativas registradas para o que foi feito, especialmente materiais e diárias.
  5. Prazos: envio dentro do prazo contratual de cada convênio.
  6. Retorno para a origem: cada motivo de glosa recorrente vira treinamento para o setor que o gerou.

Como recuperar

Nem toda glosa é devida. O recurso exige organização:

  • Separe as glosas por convênio e motivo e priorize pelo valor.
  • Respeite os prazos de recurso de cada contrato.
  • Anexe a documentação que comprova o que foi feito.
  • Acompanhe o resultado: quanto foi recorrido, quanto foi recuperado e em quanto tempo.

O padrão TISS, da ANS, define a troca eletrônica de informações entre prestadores e operadoras, incluindo o retorno das glosas, o que facilita o acompanhamento quando o hospital usa os campos corretamente.

A glosa no resultado e no caixa

A glosa reduz a receita e, portanto, a margem de contribuição de cada convênio. Também atrasa o caixa: enquanto o recurso não é decidido, o valor fica pendente. Por isso a glosa deve ser lida junto com o prazo médio de recebimento e com as contas não faturadas. Para hospitais com Tasy, veja faturamento e glosas.

Perguntas relacionadas

Qual é um percentual de glosa aceitável?

Varia muito por perfil de hospital, convênio e tipo de atendimento. Mais útil do que buscar um número de mercado é acompanhar a tendência do próprio hospital e o percentual por convênio e motivo.

Glosa e inadimplência são a mesma coisa?

Não. Glosa é a recusa de pagar um item; inadimplência é o atraso ou não pagamento de um valor aceito.

Quem deve ser responsável pelas glosas?

O faturamento coordena, mas a prevenção depende dos setores que geram a conta: recepção, autorização, enfermagem, farmácia e corpo clínico.

Equipe Clic Health

Escrito pela equipe que faz o Clic Health: contadores, controllers e desenvolvedores que trabalham há mais de 20 anos com a gestão de hospitais.

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