Gestão do repasse médico: indicadores e controle
O repasse médico é um dos maiores custos variáveis do hospital. Medir bem é o que permite negociar regras justas para os dois lados.
O repasse médico é o valor que o hospital paga aos médicos pelos atendimentos e procedimentos realizados. Em muitos hospitais, ele está entre os maiores custos do atendimento, ao lado de materiais e medicamentos. Controlar o repasse não significa reduzir a remuneração médica, e sim garantir que as regras sejam claras, aplicadas do mesmo jeito e coerentes com o que o hospital recebe.
As modalidades mais comuns
| Modalidade | Como funciona | Natureza do custo |
|---|---|---|
| Honorário por produção | Percentual ou valor por procedimento realizado | Variável |
| Hora de plantão | Valor por hora de presença | Fixo no período |
| Sobreaviso | Valor por disponibilidade, com ou sem acionamento | Fixo no período, com parte variável |
| Pacote ou valor fixo mensal | Valor contratado por serviço ou especialidade | Fixo |
Muitos hospitais combinam várias modalidades. Para a gestão, o importante é separar o que é variável (entra na margem de contribuição) do que é fixo (estrutura).
Os indicadores
- Repasse total do mês, por modalidade, especialidade e médico.
- Ticket de repasse: repasse ÷ número de atendimentos, por tipo de atendimento. Veja ticket médio hospitalar.
- Repasse sobre a receita: quanto do faturamento de cada convênio e especialidade vai para honorários.
- Repasse de contas glosadas: o hospital paga o médico por um procedimento cuja conta foi glosada? A regra de repasse sobre glosa precisa estar definida.
- Prazo: em que momento o repasse é pago (na produção, no faturamento ou no recebimento) e o efeito no caixa.
Os pontos de atenção
- Repasse maior que a receita em certos procedimentos ou convênios: acontece quando a tabela do convênio não acompanha a regra de remuneração.
- Regras diferentes para casos iguais: contratos antigos, exceções sem registro.
- Repasse sobre valor bruto ou líquido: pagar sobre o faturado, antes da glosa, transfere o risco da glosa para o hospital.
- Plantões e sobreavisos sem produção correspondente: o custo fixo de disponibilidade precisa ser comparado com o uso.
Repasse e margem
O repasse por produção é um dos componentes da margem de contribuição por convênio. Um convênio com receita alta pode ter margem baixa se os honorários dos procedimentos mais frequentes forem altos em relação à tabela. A análise por especialidade e procedimento mostra onde ajustar.
Como um BI ajuda
O BI junta a produção, o faturamento, a glosa e o repasse no mesmo lugar, por médico, especialidade e convênio, e mostra a tendência. No Clic Health, os painéis Gestão Repasse Médico, Impacto Médico e Apuração CH acompanham os custos médicos (honorário, hora de plantão, sobreaviso e produção), e o painel Tickets Receita mostra o ticket de repasse. Veja também controladoria hospitalar.
Perguntas relacionadas
Repasse médico é custo variável ou fixo?
Depende da modalidade. Honorário por produção é variável; plantão, sobreaviso e valores fixos mensais são custos fixos do período.
O repasse deve ser pago antes ou depois do recebimento do convênio?
É uma decisão contratual. Pagar depois do recebimento reduz o risco de caixa do hospital; pagar na produção é mais atrativo para o médico. O importante é a regra ser clara e igual para todos.
Como tratar o repasse de procedimentos glosados?
Defina em contrato se o repasse acompanha a glosa (é estornado ou suspenso até o recurso) ou não. Sem regra, o hospital assume o risco sozinho.
Escrito pela equipe que faz o Clic Health: contadores, controllers e desenvolvedores que trabalham há mais de 20 anos com a gestão de hospitais.