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Como analisar a DRE de um hospital, passo a passo

Do resultado à causa em cinco passos, com a estrutura gerencial que torna a DRE útil para a diretoria.

Equipe Clic HealthAtualizado em 4 min de leitura

Analisar a DRE hospitalar é responder, em ordem, a cinco perguntas: o resultado está bom ou ruim? Contra o quê? Qual linha explica a diferença? Em qual centro de custo ela nasce? É volume, preço ou mix? Este artigo mostra o roteiro, a estrutura gerencial que facilita a leitura e os erros mais comuns.

A DRE contábil e a DRE gerencial

A DRE contábil segue as normas de contabilidade e serve para prestação de contas. A DRE gerencial reorganiza as mesmas informações para a decisão: separa o que varia com o atendimento do que é fixo, destaca a margem de contribuição e o resultado operacional. Uma estrutura gerencial típica de hospital:

LinhaO que entra
Receita brutaFaturamento de SUS, convênios e particulares, por competência
(−) DeduçõesGlosas, impostos sobre a receita
(=) Receita líquida
(−) Custos variáveisMateriais, medicamentos, OPME, honorários médicos por produção
(=) Margem de contribuiçãoQuanto sobra para a estrutura
(−) Custos fixosPessoal, estrutura, serviços de terceiros, manutenção
(=) Resultado operacional (EBITDA)Geração de caixa da operação
(−) Depreciação e amortização
(+/−) Resultado financeiroReceitas e despesas financeiras
(=) Resultado final

A estrutura exata varia de hospital para hospital. O importante é que ela seja a mesma todos os meses e que as contas contábeis estejam classificadas sempre do mesmo jeito.

Passo 1: comece pelo resultado

Olhe primeiro o resultado operacional e o resultado final do período. Estão acima ou abaixo do orçado? E do mesmo período do ano anterior? Essa resposta define o tom da análise.

Passo 2: compare com duas referências

  • Contra o orçamento: mostra se o hospital está cumprindo o plano.
  • Contra o ano anterior: mostra a evolução real, sem depender da qualidade do orçamento.

Uma DRE abaixo do orçado mas acima do ano anterior conta uma história diferente de uma DRE abaixo das duas referências. O artigo sobre orçado x realizado aprofunda essa comparação.

Passo 3: ache a linha que explica a diferença

Percorra a DRE de cima para baixo e marque as linhas com maior desvio em R$, e não em percentual: um desvio de 40% em uma linha pequena pesa menos que um de 5% na folha de pagamento. Use também a análise vertical (quanto cada linha representa da receita) para ver se a estrutura mudou: materiais que passam de 18% para 21% da receita são um sinal, mesmo que o valor absoluto tenha caído junto com a receita.

Passo 4: ache o centro de custo

A linha da DRE diz o quê; o centro de custo diz onde. Abra o desvio por centro de custo e por conta contábil. É aqui que a análise vira conversa com os gestores: cada desvio relevante deve ter um responsável e uma explicação. Veja como acompanhar custos por setor.

No Clic Health, a DRE orçado x realizado mostra o orçado, o realizado e as variações lado a lado, linha a linha. Dados fictícios

Passo 5: separe volume, preço e mix

Um custo que subiu nem sempre é um problema:

  • Volume: o hospital atendeu mais pacientes, e o custo variável acompanhou. Compare com a produção.
  • Preço: o mesmo consumo custou mais (reajuste de fornecedor, dissídio).
  • Mix: mudou a composição dos atendimentos (mais cirurgias complexas, mais SUS, outro convênio).
  • Eficiência: o consumo por paciente aumentou sem mudança de volume, preço ou mix. Esse é o desvio que pede ação.

Erros comuns na análise da DRE

  • Misturar caixa e competência: a DRE é por competência. Pagamentos atrasados não mudam a DRE do mês.
  • Mudar a classificação das contas no meio do ano: a comparação perde o sentido.
  • Olhar só o percentual: o desvio que importa é o de maior valor.
  • Parar no total: sem descer ao centro de custo, a análise não vira ação.
  • Ignorar os itens não recorrentes: um acordo, uma venda de ativo ou uma provisão podem esconder a tendência real.

Como um BI ajuda

Com um BI ligado ao sistema de gestão, os passos 1 a 4 ficam prontos logo depois do fechamento: a DRE orçado x realizado, a variação por centro de custo e as análises vertical e horizontal. A controladoria ganha tempo para o passo 5 e para a conversa com os gestores. Para hospitais com Tasy, veja controladoria e DRE com dados do Tasy. O papel da área está em controladoria hospitalar.

Perguntas relacionadas

Qual a diferença entre DRE e fluxo de caixa?

A DRE mostra o resultado por competência: receitas e custos do mês em que aconteceram. O fluxo de caixa mostra o dinheiro que entrou e saiu. Um hospital pode ter DRE positiva e caixa negativo, por causa dos prazos dos convênios e das glosas.

Glosa entra na DRE como dedução ou como despesa?

Na estrutura gerencial, a glosa costuma entrar como dedução da receita, porque representa receita que não será recebida. O importante é manter o mesmo critério todos os meses.

Com que frequência analisar a DRE?

Mensalmente, logo após o fechamento contábil. Indicadores que antecipam a DRE, como produção, faturamento e contas pendentes, devem ser acompanhados durante o mês.

Equipe Clic Health

Escrito pela equipe que faz o Clic Health: contadores, controllers e desenvolvedores que trabalham há mais de 20 anos com a gestão de hospitais.

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