Excedência de permanência no SUS: o que é e como acompanhar
No SUS, o valor da AIH não acompanha os dias de internação. Cada dia além do previsto é custo que precisa ser medido e gerido.
A excedência de permanência no SUS é o conjunto de dias em que pacientes internados pelo SUS ficam no hospital além da permanência prevista para o procedimento. Como o valor pago pela internação é, em regra, definido pelo procedimento da AIH, e não pelos dias de internação, cada dia além do previsto é custo para o hospital sem a receita correspondente.
Como o SUS remunera a internação
Na internação pelo SUS, o hospital emite uma AIH (Autorização de Internação Hospitalar) com um procedimento principal. Cada procedimento tem, na tabela de procedimentos do SUS (SIGTAP), um valor e uma média de permanência prevista. O valor da AIH não aumenta automaticamente se o paciente ficar mais dias.
Há regras específicas para internações longas. Para os procedimentos que admitem permanência a maior (um atributo do procedimento na tabela), o manual do Sistema de Informação Hospitalar (SIH/SUS) prevê o registro de diárias de permanência a maior quando a internação passa do dobro da média de permanência do procedimento, descontadas as diárias de UTI. As regras completas e as exceções estão nos manuais técnicos do SIH/SUS e devem ser conferidas pelo faturamento SUS do hospital.
Por que a excedência importa
- Custo sem receita: cada dia além do previsto consome diária, equipe, materiais e medicamentos.
- Capacidade: o leito ocupado não recebe um novo paciente, o que pesa em hospitais com fila.
- Resultado do SUS: a excedência é uma das principais explicações para a margem do SUS ser menor do que a esperada.
Como medir
- Dias de excedência: para cada internação, os dias além da permanência prevista do procedimento.
- Impacto financeiro: os dias de excedência multiplicados pelo custo médio da diária do setor.
- Concentração: por procedimento, especialidade, setor e motivo de atraso na alta.
- Tendência: mês a mês, para ver se as ações estão funcionando.
Causas mais comuns
- Atraso em exames, pareceres ou procedimentos durante a internação.
- Complicações clínicas e infecções relacionadas à assistência.
- Pacientes que já poderiam ter alta mas dependem de vaga em outro serviço, de cuidados domiciliares ou de questões sociais.
- Falta de planejamento da alta desde a admissão.
Como reduzir
As práticas são as mesmas da gestão da média de permanência, aplicadas com prioridade às internações SUS:
- lista diária dos pacientes SUS acima da permanência prevista, com o motivo;
- agilidade nos exames e pareceres desses pacientes;
- articulação com a rede para transferências e cuidados de transição;
- registro dos motivos de atraso, para atacar os recorrentes.
Para os demais indicadores de leitos, veja taxa de ocupação. Para hospitais com Tasy, os painéis estão em dashboards de atendimento.
Perguntas relacionadas
Excedência e permanência a maior são a mesma coisa?
Não exatamente. Excedência, na gestão, costuma designar todos os dias além do previsto. Permanência a maior é a regra de faturamento do SUS para registrar diárias em procedimentos que a admitem, a partir do dobro da média de permanência.
Todo procedimento admite permanência a maior?
Não. É um atributo definido para cada procedimento na tabela do SUS. O faturamento SUS do hospital deve conferir o atributo de cada procedimento.
A excedência aparece na DRE?
Indiretamente: como custo das diárias, sem a receita equivalente. Por isso é útil acompanhar a excedência junto com a DRE do SUS.
Escrito pela equipe que faz o Clic Health: contadores, controllers e desenvolvedores que trabalham há mais de 20 anos com a gestão de hospitais.