# Como analisar a DRE de um hospital, passo a passo

> Roteiro prático para analisar a DRE hospitalar: estrutura gerencial, comparação com orçamento e ano anterior, análise vertical e causa dos desvios.

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Atualizado em: 2026-11-07

Analisar a **DRE hospitalar** é responder, em ordem, a cinco perguntas: o resultado está bom ou ruim? Contra o quê? Qual linha explica a diferença? Em qual centro de custo ela nasce? É volume, preço ou mix? Este artigo mostra o roteiro, a estrutura gerencial que facilita a leitura e os erros mais comuns.

## A DRE contábil e a DRE gerencial

A DRE contábil segue as normas de contabilidade e serve para prestação de contas. A **DRE gerencial** reorganiza as mesmas informações para a decisão: separa o que varia com o atendimento do que é fixo, destaca a margem de contribuição e o resultado operacional. Uma estrutura gerencial típica de hospital:

| | Linha | O que entra

| Receita bruta | Faturamento de SUS, convênios e particulares, por competência

| (−) Deduções | Glosas, impostos sobre a receita

| (=) Receita líquida |

| (−) Custos variáveis | Materiais, medicamentos, OPME, honorários médicos por produção

| (=) Margem de contribuição | Quanto sobra para a estrutura

| (−) Custos fixos | Pessoal, estrutura, serviços de terceiros, manutenção

| (=) Resultado operacional (EBITDA) | Geração de caixa da operação

| (−) Depreciação e amortização |

| (+/−) Resultado financeiro | Receitas e despesas financeiras

| (=) Resultado final |

A estrutura exata varia de hospital para hospital. O importante é que ela seja a mesma todos os meses e que as contas contábeis estejam classificadas sempre do mesmo jeito.

## Passo 1: comece pelo resultado

Olhe primeiro o resultado operacional e o resultado final do período. Estão acima ou abaixo do orçado? E do mesmo período do ano anterior? Essa resposta define o tom da análise.

## Passo 2: compare com duas referências

- **Contra o orçamento**: mostra se o hospital está cumprindo o plano.
- **Contra o ano anterior**: mostra a evolução real, sem depender da qualidade do orçamento.

Uma DRE abaixo do orçado mas acima do ano anterior conta uma história diferente de uma DRE abaixo das duas referências. O artigo sobre [orçado x realizado](https://clichealth.com.br/blog/orcado-x-realizado-hospital) aprofunda essa comparação.

## Passo 3: ache a linha que explica a diferença

Percorra a DRE de cima para baixo e marque as linhas com maior desvio em R$, e não em percentual: um desvio de 40% em uma linha pequena pesa menos que um de 5% na folha de pagamento. Use também a **análise vertical** (quanto cada linha representa da receita) para ver se a estrutura mudou: materiais que passam de 18% para 21% da receita são um sinal, mesmo que o valor absoluto tenha caído junto com a receita.

## Passo 4: ache o centro de custo

A linha da DRE diz o quê; o centro de custo diz onde. Abra o desvio por centro de custo e por conta contábil. É aqui que a análise vira conversa com os gestores: cada desvio relevante deve ter um responsável e uma explicação. Veja [como acompanhar custos por setor](https://clichealth.com.br/blog/custos-por-setor-hospital).

No Clic Health, a DRE orçado x realizado mostra o orçado, o realizado e as variações lado a lado, linha a linha.

## Passo 5: separe volume, preço e mix

Um custo que subiu nem sempre é um problema:

- **Volume**: o hospital atendeu mais pacientes, e o custo variável acompanhou. Compare com a produção.
- **Preço**: o mesmo consumo custou mais (reajuste de fornecedor, dissídio).
- **Mix**: mudou a composição dos atendimentos (mais cirurgias complexas, mais SUS, outro convênio).
- **Eficiência**: o consumo por paciente aumentou sem mudança de volume, preço ou mix. Esse é o desvio que pede ação.

## Erros comuns na análise da DRE

- **Misturar caixa e competência**: a DRE é por competência. Pagamentos atrasados não mudam a DRE do mês.
- **Mudar a classificação das contas no meio do ano**: a comparação perde o sentido.
- **Olhar só o percentual**: o desvio que importa é o de maior valor.
- **Parar no total**: sem descer ao centro de custo, a análise não vira ação.
- **Ignorar os itens não recorrentes**: um acordo, uma venda de ativo ou uma provisão podem esconder a tendência real.

## Como um BI ajuda

Com um BI ligado ao sistema de gestão, os passos 1 a 4 ficam prontos logo depois do fechamento: a DRE orçado x realizado, a variação por centro de custo e as análises vertical e horizontal. A controladoria ganha tempo para o passo 5 e para a conversa com os gestores. Para hospitais com Tasy, veja [controladoria e DRE com dados do Tasy](https://clichealth.com.br/tasy/controladoria-e-dre). O papel da área está em [controladoria hospitalar](https://clichealth.com.br/bi-hospitalar/controladoria-hospitalar).

## Perguntas relacionadas

Qual a diferença entre DRE e fluxo de caixa?A DRE mostra o resultado por competência: receitas e custos do mês em que aconteceram. O fluxo de caixa mostra o dinheiro que entrou e saiu. Um hospital pode ter DRE positiva e caixa negativo, por causa dos prazos dos convênios e das glosas.

Glosa entra na DRE como dedução ou como despesa?Na estrutura gerencial, a glosa costuma entrar como dedução da receita, porque representa receita que não será recebida. O importante é manter o mesmo critério todos os meses.

Com que frequência analisar a DRE?Mensalmente, logo após o fechamento contábil. Indicadores que antecipam a DRE, como produção, faturamento e contas pendentes, devem ser acompanhados durante o mês.

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